Por outro lado, a fortuna de ter lido, com específica atenção e consecutivamente, os livros de duas das minhas poetisas portuguesas contemporâneas preferidas também permitiu algumas intuições.
Primeiro Maria (Sousa) e depois Joana (Serrado), na ordem das minhas leituras*, mostram bem como podemos respirar fundo nas palavras poéticas que vão sendo publicadas em português, desde logo pela sua diversidade. Pertencentes à mesma geração têm contudo olhares e estilos bem distintos. A uni-las, já aqui o escrevi, um certo apelo naturalístico, que não me parece ser inevitável na poesia e que, por isso, indica uma inclinação poética cuja exegese não arrisco aqui. Essa inclinação, pelas distintas veredas por onde nos leva cada uma delas, mostra bem como o apelo naturalístico não é mais do que um manancial comum de metáforas que logo são colocadas ao serviço do restante mundo das autoras.
Lendo as duas, assim, parece que estamos a observar o funcionamento faseado de um músculo. Maria contrai, Joana distende. Mulher Ilustrada e Guarany servem bem como manifestações de diferença na poesia portuguesa recente. Mesmo se me parece que vislumbro uma partilhada atracção pela errância transumante do amor.
* a ordem de publicações é a inversa, Guarany, de Joana Serrado saiu no passado mês de Outubro, enquanto o novo livro de Maria Sousa, Mulher Ilustrada, só sairá no início do próximo ano.
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