segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A morte de um amigo de meus amigos

para o Bruno Cabral


Tu descobres e dói-te pelos vivos, teus amigos.
Morreu-lhes aquele que para ti seriam eles. A empatia não pode ser outra coisa.

Recordas as tuas perdas. E pensas no que fica por ser.
É insuportável a promessa.

Depois, regressas aos vivos e pensas na suprema arma da morte:
ela não dialoga contigo. Ela não te reconhece. Ela ignora-te.

Mesmo que a quisesses explicar, a morte recorda-te que ser humano
tem a razão por verniz
e que por baixo somos só frágeis modos

de nos metermos
uns dentro dos outros.

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