domingo, 28 de outubro de 2012

O avesso em blog

Ao contrário de alguns blogs que ainda continuo a ler e que admiro, o Límpida, ao cabo destes quase 10 anos, tornou-se um blog negativo. Creio que foi a sua forma de sobreviver, o que, por seu turno, tem que ver com a minha forma de viver. Ele é, sobretudo, o que eu não sou, mas pensei ou tentei ser.

A Busca é hoje a tradução do avesso da minha vida. Ela é os trabalhos preparatórios da límpida medida, que em escassos e preciosos momentos acontece aí, desse lado do ecrã. O melhor exemplo que encontro é o próprio material principal deste blog: a escrita. A Busca tornou um laboratório e deixou de ser uma montra. Há artificialismo nisto?, tenho-me perguntado nos últimos tempos, creio que não. Pelo contrário. Normalmente, diria, não gostamos de mostrar como nos tornamos (tornámos) no que somos, sobretudo, no que mostramos. Guardamos o nosso melhor para a luz, mesmo que seja uma luz reservada aos amantes, aos amigos, à família, ao que seja. E para as trevas, para o esquecimento, para o diário secreto, ficam as tentativas, os ensaios, os falhanços.

Pois bem, o Límpida tornou-se o inverso de tudo isto. Aqui ensaia-se, mesmo que pouco, mesmo que por vezes um meta-ensaio, um ensaio de um ensaio (suspeito que a culpa aqui é de um autor cada vez mais preso aos assuntos da identidade, enredado nos problemas de ser um corpo só, mas tantas coisas para fazer com ele). Ora, pensando bem toda a busca foi sempre um ensaio. Buscar não é obter. Talvez fosse antes que o título desde blog estava errado. Buscava-se, mas, afinal, já se estava a alcançar. Ou, talvez não: alcançava-se apenas uma peça da límpida medida. O título estaria, assim, apenas incompleto, seria enganador.

Há algo de libertador em assumir esta Busca, em sair do armário da Límpida Medida. O blog reage, agradece. Este é o sentido que lhe resta.

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